gente que baila

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gente que baila

BAILA CORAÇÃO AO SOM DO ACORDEÃO é um conjunto de serões dançantes que acontece em diversas localidades do concelho de Castro Marim, sempre aos sábados entre as 21 e as 24 horas, desde Novembro até Maio. A organização é da responsabilidade da Câmara Municipal de Castro Marim, da MITO ALGARVIO - Associação de Acordeonistas do Algarve e de associações locais das diversas comunidades que vão acolhendo os serões dançantes.

 

A tocar estão sempre os MATO BRAVO, grupo constituído pelos acordeonistas Francisco Conceição e Fábio Guerreiro, por Carlos Luz na guitarra e ainda por António Rodrigues, que toca tabuinhas (instrumento musical popular algarvio inventado há algumas décadas por um fuzetense chamado 'Ti Chico Cebola'), dança e às vezes até canta. Por vezes há convidados, como é o caso do jovem Hugo Madeira. O repertório é vasto, diverso e muito do agrado dos casais que participam, sempre a dançar com entusiasmo e boa disposição. Durante três horas os 'Mato Bravo' tocam sempre 'à antiga', em 'modo acústico', sem quaisquer equipamentos electrónicos.

Quando chega a meia noite o baile termina e é trocado por uma generosa ceia, oferecida a todos os presentes pela associação local que acolhe o serão dançante. E, sustentado pelos 'comes e bebes', o convívio estende-se por mais algum tempo. Quando é uma hora da manhã todos começam a preparar-se para regressar a casa e muitos já a fazer planos para a noite do sábado seguinte.

«Ter saúde é um estado de bem-estar físico, psicológico e social», explica Francisco Amaral, médico e presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, e também um dos grandes animadores dos 'Baila Coração ao Som do Acordeão'. «Isto é exercício físico que as pessoas fazem quase sem o perceberem e para estas populações com alguma idade é o melhor medicamento que se lhes pode prescrever», continua o médico e autarca. A ideia remonta a 2015 e surgiu no âmbito da política cultural e social do município para tentar minorar o isolamento dos habitantes do interior do concelho e, ao mesmo tempo, contribuir para a sua qualidade de vida.

 

Durante o ano de 2019 acompanhei seis serões dançantes. Foi fácil integrar-me e ser aceite, e consequentemente fotografar sem causar desconforto ou motivar o desagrado de ninguém. A sequência das imagens que acima se apresentam são uma selecção possível, a partir das várias centenas que fiz. Procuram ilustrar, com a abordagem da fotografia documental e ocasionalmente com algum sentido de humor, a realidade que repetidamente encontrei. Na verdade, não são muitas pessoas, talvez não mais do que duas centenas. Grande parte marca presença em todos ou quase todos os 'Baila Coração ao Som do Acordeão'. Assim, para além da saúde e da qualidade de vida, constrói-se e consolida-se um espírito de comunidade que tem grande valor nestas pequenas sociedades serrenhas e envelhecidas, do interior do sotavento algarvio.