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O ALGARVE DE ASTA E LUÍS DE ALMEIDA D’EÇA

AS PRAIAS E O POVO

 

O casal Asta e Luís de Almeida d’Eça notabilizou-se pelas fotografias vocacionadas para a promoção turística que foi fazendo ao longo das décadas de 1960 a 1980. Para tal terão, certamente, contribuído os contratos firmados com a TAP - Transportes Aéreos Portugueses, companhia de bandeira que tanto se empenhou em consolidar a imagem de Portugal como apetecível destino para as próximas férias, e os firmados com o SNI - Secretariado Nacional da Informação, departamento governamental do Estado Novo que tinha a seu cargo divulgar a oferta turística diversificada mas sempre de excelência que a todos tinha para oferecer a metrópole portuguesa.

 

Fotografar para a promoção turística é revelar e seduzir pelo encanto das paisagens, dos territórios e dos locais, é cativar os outros, os estrangeiros, os turistas, com o que nós, os locais, e a nossa região temos de diferente, de interessante, de exótico. É criar sonhos apetecíveis que se podem tornar realidade. Há, consequentemente, uma linguagem estética, singular e especial na fotografia para a promoção turística. Assente na exaltação do belo, do melhor, do monumental, do saboroso, do inesquecível. E imprimindo, ao mesmo tempo, subtileza na mensagem de que tudo aquilo é comum e habitual naquele destino. Fotografar para a promoção turística é, em síntese, criar imagens de um espaço e de um tempo onde tudo é, aparentemente, perfeito e feliz e, simultaneamente, alcançável.

 

Asta e Luís de Almeida d’Eça tiveram talento para criar uma linguagem fotográfica distinta, com base em enquadramentos criteriosamente escolhidos, onde nunca faltavam pormenores de vivacidade, luz e côr, e a partir dela construíram uma carreira profissional longa e bem sucedida, certamente pouco reconhecida apenas porque os fotógrafos de promoção turística são sempre subvalorizados. O que fica na memória não são os nomes deles, são os resultados do seu trabalho.

 

O Algarve, desde cedo, constituiu-se como um dos territórios de eleição para os Almeida d’Eça. Recorde-se, em 1962 Francisco Keil do Amaral tinha concluído o estudo “Bases para o desenvolvimento turístico do Algarve” e o Aeroporto Internacional de Faro, inaugurado em 1965, começava a projectar-se, em paralelo com a conclusão do “Plano de Valorização Turística do Algarve”, do “Plano Regional do Algarve” e do “Estudo Preliminar do Ordenamento Paisagístico do Algarve”. A indústria turística fervilhava intensamente e a imagem fotográfica, nesses tempos como agora, era decisiva para enaltecer um certo Algarve. Asta e Luís, eles próprios, acabaram por ser conquistados e compraram casa em Armação de Pêra.

 

A intensa relação de proximidade que estabeleceram com a região algarvia proporcionou-lhes também uma temática distinta. O algarvio comum, o povo, começou a surgir com regularidade nas fotografias que faziam. Desde logo os pescadores, que com os turistas partilhavam as praias, mas também os agricultores, os pastores, os genuínos artesãos e os que produziam souvenirs para os estrangeiros. Hoje, quatro ou cinco décadas passadas, essa vertente do legado do casal é tanto ou mais interessante do que a vertente da promoção turística. Esta última tem interesse estético e documental, ao permitir, por exemplo, conhecer melhor a estratégia de comunicação e algumas alterações nos usos do território. A anterior tem interesse antropológico e cultural, ao permitir conhecer melhor a imagem de algarvios comuns e dos seus quotidianos. O ALGARVE DE ASTA E LUÍS DE ALMEIDA D’EÇA, que agora se começa a mostrar, espraia a sua atenção por todo esse universo fotográfico do casal, onde cabem a TAP, as imagens aéreas panorâmicas, o aeroporto de Faro, as praias que, apesar de ainda nelas todos terem lugar, se vão afirmando como espaços de sonho e sedução, e também o povo simples, da faina piscatória e do mundo rural, e até do folclore algarvio...
 

Nuno de Santos Loureiro

Universidade do Algarve

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Asta (não visível, a fotografar) e Luís de Almeida d’Eça (sentado com uma Hasselblad V em cima da Renault Estafette, com matrícula de 1963 ou 1964) usavam uma autocaravana para terem maior liberdade nas viagens e nas estadias, durante as suas jornadas fotográficas.

ASTA ELLA FØGE ALMEIDA D’EÇA

Asta Ella Føge Almeida d’Eça (Dinamarca, 1929 - Algarve, 2015), a filha mais velha de um casal de fotógrafos de Aarhus, iniciou-se na fotografia com a própria mãe, Johanne Sylvester Føge, depois de o seu pai falecer em 1941. Em paralelo e na continuidade dos seus estudos, trabalhou ocasionalmente como fotógrafa na Dinamarca, Noruega, Suíça e Itália. No início da década de 1950 um empresário ligado à Kehlet Foto, que pretendia expandir-se para a África do Sul, desafiou Asta a mudar-se para Joanesburgo, então Cidade do Cabo, para formar novos fotógrafos e dirigir essa rede de estabelecimentos comerciais. Asta chegou à África do Sul com 22 anos de idade. Em 1954, durante umas férias em Maputo, então Lourenço Marques, Moçambique, conheceu Luís de Almeida d’Eça, que desempenhava um cargo de responsabilidade na Sena Sugar Estates, Lda. Em 1956 casaram-se e no início da década de 1960 foram viver para a então metrópole portuguesa.

 

LUÍS DE MOURA COUTINHO ALMEIDA D’EÇA

Luís de Moura Coutinho Almeida d’Eça (Moçambique, 1924 - Lisboa, 1991) passou parte da sua juventude em Lisboa, para estudar, e regressou a Lourenço Marques com 18 anos de idade. Foi aí que a sua vida se cruzou e fundiu com a de Asta Ella Føge.

 

ALMEIDA D’EÇA FOTÓGRAFOS

Instalado na capital portuguesa, o casal Asta e Luís de Almeida d’Eça dedicou-se à fotografia como profissão principal. A imagem turística, nas suas diferentes facetas, foi o domínio de trabalho principal e, provavelmente, caberiam a Asta as funções de fotógrafa principal e a Luís as tarefas comerciais. O casal trabalhava sempre em equipa e assinava com uns sintéticos D’Eça ou Almeida d’Eça. Datam de 1962 os primeiros contratos conhecidos com a TAP - Transportes Aéreos Portugueses, um cliente de grande relevância para os Almeida d’Eça. O SNI - Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo (ou, abreviadamente, Secretariado Nacional da Informação) e a Direcção Geral de Turismo, ainda no tempo do Estado Novo, foram outros clientes fundamentais, numa carteira que incluiu também companhias aéreas como a South African Airlines e a British Airways, e instituições públicas como a Região de Turismo do Algarve e a Direcção Geral de Turismo da República de Cabo Verde. Adicionalmente, o casal publicou, entre 1969 e 1987, onze edições do livro multilingue “Algarve, Portugal. Férias em todas as Estações do Ano” e fez a quase totalidade das fotografias que ilustram a edição original do livro “Viagem a Portugal” de José Saramago, publicada em 1981. Editou, por fim, numerosos bilhetes postais ilustrados com imagens do Algarve. A actividade fotográfica do casal prolongou-se até ao início da década de 1990 e Asta terminou-a quase totalmente após Luís de Almeida d’Eça falecer.

 

O ARQUIVO FOTOGRÁFICO ALMEIDA D’EÇA

Em 2011 o Instituto Politécnico de Tomar adquiriu a Asta Almeida d’Eça o vasto arquivo fotográfico do casal, principalmente constituído por cerca de 50 mil diapositivos a cores em formato 6x6 cm. Em 2018, após a criação do CEFT - Centro de Estudos em Fotografia de Tomar, a colecção ficou aí depositada e conservada, passando a ser denominada “Fundo Almeida d’Eça”. É sobretudo a partir desse valioso espólio que se constrói O ALGARVE DE ASTA E LUÍS DE ALMEIDA D’EÇA, no quadro de uma parceria que envolve a Universidade do Algarve, os Municípios de Lagoa (Algarve) e de Tomar, o Instituto Politécnico de Tomar, o CEFT e a Região de Turismo do Algarve (RTA). Esta última instituição pública é detentora de um arquivo fotográfico onde se conservam diapositivos adquiridos ao casal Almeida d’Eça, que também, em parte, são agora apresentados.

MOSTRA INAUGURAL

Real Compromisso Marítimo de Ferragudo

19 de Julho a 16 de Agosto de 2024

aberto ao público todos os dias entre as 16 e as 20 horas

entrada livre

CARTAZ | CATÁLOGO DESDOBRÁVEL

descarregue AQUI em formato pdf ou

solicite o seu exemplar na exposição!!

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