A fotografia não imita o olhar, suspende-o.

Ernesto de Sousa, 1978

The Decisive Moment ou o 'momento decisivo' são um título e uma expressão de Henri Cartier-Bresson que marcaram para sempre a fotografia. Particularmente uma boa fotografia. Fotografar desporto é, em grande medida, captar os seus momentos decisivos. Uma fotografia conseguida no futebol, afirmam os 'mestres', é a da tentativa bem sucedida ou fracassada do golo: a disputa pela bola, o pontapé forte e certeiro, o voo do guarda-redes, a capacidade ou impossibilidade de defender.

Mas o ‘momento decisivo’ pode também estar reflectido no oposto. Quem nunca se fixou longamente nas fotografias de Robert Capa feitas no Tour de France 1939, à frente da loja de Pierre Cloarec? Não há uma bicicleta, muito menos um ciclista. Mesmo assim, a essência de uma etapa da Volta à França está ali, em toda a sua intensidade e frenesim, naquele par de imagens!

E no BTT de competição qual é o ‘momento decisivo’?

Esta pequena colectânea de fotografias que fiz ao longo de 2016 junta alguns registos de momentos decisivos a um olhar atento de autor. O BTT-XCO, a vertente olímpica do mountain-bike, é uma modalidade disputada sempre no limite da intensidade do esforço físico e psicológico prolongado por mais de 1 hora de prova. O seu ‘momento decisivo’ é a expressão instantânea e permanente da entrega do praticante aos trilhos e à competição. Não há aquele fragmento de tempo fantástico, mas há um continuum de mágica superação. No BTT-DHI, outra vertente da modalidade, imperam a velocidade, os saltos, a destreza sinuosa do piloto. Residem aí os ‘momentos decisivos’. E também no erro, nas quedas, nas saídas de pista.

Fotografar BTT é um duplo desafio constante. O de capturar os melhores ‘momentos decisivos’ e, particularmente, o de ser inspirado por momentos decisivos de criatividade e originalidade que possam vir a cativar e suspender longamente o olhar atento de quem se depare com essas imagens.

Nuno de Santos Loureiro
Outubro de 2016