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Fotografar ciclismo, fotografar desporto: dois livros e um fotógrafo


Fotografar ciclismo é algo que me entusiasma há anos. Já não chegam os dedos da mão para contar as edições da Volta ao Algarve que acompanhei dia após dia, etapa após etapa, sempre pelo prazer pessoal de registar imagens dessa modalidade desportiva. Se a memória não falha, só uma vez acompanhei a ‘algarvia’ para o BARLAVENTO.

Este ano estabeleci para mim mesmo um projecto de fotografia de autor em torno do BTT (byCycling). Uma vez mais um compromisso apenas assumido comigo mesmo, o que é sinónimo de dizer que posso ir fotografar em liberdade o que quero, quem quero, como quero, quando quero. Tão somente os comissários me impediram uma vez ou outra de registar imagens que desejei.

Em 2017 esse mesmo projecto de autor continuará, até mais ambicioso. Tenho previsto juntar ao circuito nacional de BTT-XCO a presença em algumas provas da Taça do Mundo, como Nové Město na Moravě (República Checa), Albstadt (Alemanha) e Vallnord (Andorra). Como escrevi para a publicação que concluirá o byCycling 2016, Fotografar BTT é um duplo desafio constante. O de capturar os melhores ‘momentos decisivos’ e, particularmente, o de ser inspirado por momentos decisivos de criatividade e originalidade que possam vir a cativar e suspender longamente o olhar atento de quem se depare com essas imagens.

Este post não é, no entanto, sobre nada disto! É, na verdade, sobre dois livros e um fotógrafo.

O primeiro livro intitula-se Magnum Cycling e é o resultado do esforço de Guy Andrews para compilar trabalhos de alguns fotógrafos da agência Magnum Photos. Ao Tour de France são dedicados três dos seis capítulos do livro. Robert Capa fotografou a edição de 1939, Harry Gruyaert a de 1982, John Vink a de 1985 e Christopher Anderson a de 2004. O capítulo dedicado a Capa vale, por si só, todo o livro. O fotógrafo húngaro naturalizado americano (1913 - 1954) foi um dos primeiros a fotografar etapas a partir de uma mota; foi também dos primeiros a perceber que o público é uma componente indispensável da festa do ciclismo e, por isso mesmo, dedicou-lhe uma parte importante do seu trabalho. Harry Gruyaert terá sido dos últimos a fotografar livremente no meio do pelotão, de mota, registando imagens em cores intensas e contrastadas. E, uma vez mais, fotografou o espectáculo do público presente. As imagens a preto e branco de John Vink, centradas nos momentos não competitivos dos ciclistas e suas equipas, e num público sempre entusiasta, mostram, uma vez mais, a outra face do Tour de France. Por fim, de Christopher Anderson são apresentadas algumas imagens de um nome que nunca poderá ser esquecido: Lance Armstrong. Outro capítulo ‘alto’ do livro é o dedicado ao ciclismo de pista, com fotografias de David Seymour, René Burri, Martine Franck, John Vink, Chris Steele-Perkins e, muito especialmente, de Henri Cartier-Bresson com fotografias da edição de 1957 dos Seis dias de Paris. O público, uma vez mais, foi o alvo principal…

Who Shot Sports, o segundo livro, é uma tremenda enciclopédia de centenas de fotógrafos de desporto, desde as origens da fotografia até ao ano de 2015. De cada um é publicada uma ou algumas imagens e sobre cada um deles é escrito um pequeno texto de apresentação. No final, resulta um livro com mais de 300 páginas. O português Daniel Rodrigues, com a foto que em 2013 ganhou no World Press Photo o primeiro lugar da categoria Daily Life Single, integra a vasta selecção da responsabilidade de Gail Buckland.

I think that technique and technical stuff is absolutely irrelevant to the picture in terms of what you do as a photographer. I think the most important thing is to have a vision, to have an emotional feeling, to care about what you’re photographing, and to have something that’s already in your heart, in your eye. Heinz Kluetmeier (1942 - ). É o enunciar duma linha de registo transversal a muitos dos fotógrafos apresentados no livro e que, com o seu trabalho, têm tido a capacidade de fazer com que alguma fotografia de desporto seja algo de intensamente marcante, até mesmo indispensável e inesquecível.

O olhar do autor - fotógrafo de desporto é descrito por Robert Riger (1924 - 1995). Sports photography isn’t just ‘luck or circumstance’, as many people believe. The great sports photographers have a point of view - literally - that is honed from years of practice. You are in position for the picture you want, because in your conceptual design of the action, balanced with the style and skill of the athlete at that moment of the game, there is only one position. Yours!

Por fim o fotógrafo: MICHAL CERVENY. Um dos jovens fotógrafos de BTT mais interessantes do presente. Tem uma excelente conta no Instagram e, obviamente, o seu website pessoal. Michal Červený é um jovem fotógrafo de Praga, República Checa, que trabalha para a UCI, a 'dream job' como ele próprio afirma.

É de ver, por exemplo, o XCO World Championships 2016 | best of by Michal Cerveny, publicado no website da Specialized, bem como a galeria de imagens publicada em 2012 no cyclingnews.

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BLOG | Nuno de Santos Loureiro