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Incêndios florestais em Portugal continental


O Verão de 2017, em virtude do número e dimensão dos incêndios florestais que se têm verificado, está a ser devastador para Portugal continental. Depois da tragédia de Pedrógão Grande surgiram os grandes incêndios florestais de Mação, Vila de Rei, Sardoal, Abrantes, Oleiros, etc. A região centro, tradicionalmente conhecida como a do 'Pinhal Interior', tem sido a mais fustigada por incêndios florestais que demoram dias e dias a controlar e extinguir.

Nos primeiros sete meses do presente ano, de acordo com um relatório do ICNF, arderam 128.195 hectares. É certo que se trata de uma área bastante inferior à de anos como 2003, quando, segundo a Pordata, se registaram 425.839 ha ardidos, ou 2005, com 339.089 ha ardidos, ou até 2013, com 152.756 ha ardidos, mas 2017 poderá vir a ser um dos piores, ou mesmo o pior ano desde 2010, uma vez que a meio de Agosto se contabilizavam já cerca de 140.000 ha ardidos.

A detecção remota é uma ferramenta para caracterizar de forma rápida e rigorosa o território. A extensão dos incêndios florestais, principalmente quando de grandes proporções, é sempre muito evidente nas imagens de satélite. O Landsat 8 é um dos Satélites de Observação da Terra que pode ser utilizado para esse efeito. Tem um tempo de retorno a uma mesma região de 16 dias e uma resolução espacial, para a maioria das bandas, de 30 metros. A totalidade de Portugal continental fica coberta por oito imagens, alinhadas em duas fiadas (Paths) de orientação aproximada NNE-SSW.

Um dos produtos mais simples fornecidos pelo Landsat 8 é a imagem 'Natural Color' georreferenciada, que permite de imediato visualizar as áreas ardidas. Outros produtos, mas a exigirem processamento adicional, podem destacar as áreas ardidas e assegurar a quantificação detalhada da sua extensão e características. Análises cruzadas com outras fontes de informação, como os limites administrativos dos concelhos (CAOP) ou os usos e ocupações do solo (COS e CLC), permitirão uma mais aprofundada caracterização dos valores naturais e sócio-económicos atingidos.

A imagem abaixo é um mosaico construído a partir das quatro imagens da Path 203, datadas de 11 de Agosto, e das quatro imagens da Path 204, de 18 de Agosto. Nestas últimas há alguma nebulosidade sobre parte da faixa litoral Oeste, mas que não perturba a leitura da localização e extensão das áreas ardidas. Estas surgem a um tom de castanho escuro muito peculiar e distinto das outras cores e, consequentemente, poucas ou nenhumas são as dúvidas de interpretação.

Portugal continental observado a partir do LANDSAT 8 ••• mosaico de oito imagens, de 11 e 18 de Agosto de 2017

(download desta imagem em GeoTIFF - EPSG:32629 - full size AQUI)

Daqui a poucas semanas, quando a temperatura baixar e, porventura, chegarem as primeiras chuvas, os incêndios do Verão de 2017 vão ser, todos eles, declarados extintos. Nessa oportunidade, uma análise mais detalhada das imagens de satélite disponíveis vai permitir fazer as contas das áreas atingidas e contribuir para que o tema dos incêndios florestais esfrie até ao próximo Verão de 2018. Assim sendo, até já...

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BLOG | Nuno de Santos Loureiro