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  • Nuno de Santos Loureiro

MÃE SOBERANA: A FORÇA DO AMOR é livro de fotografia


Coordenado pelo historiador João Romero Chagas Aleixo, um dos principais especialistas na Festa da Mãe Soberana de Loulé, com fotografias de Fernando Correia Mendes, Luís Henrique da Cruz e Vasco Célio, e edição da Câmara Municipal de Loulé, foi apresentado no passado dia 25 de Março o livro MÃE SOBERANA: A FORÇA DO AMOR.

Com esta obra, João Aleixo amplia de forma muito especial a visibilidade da festa religiosa e profana que, anualmente, no Domingo de Páscoa e duas semanas mais tarde (no terceiro Domingo de Páscoa), enche por completo a cidade e arredores de Loulé. Explicou o historiador no prefácio e também na sessão pública de apresentação que um livro de fotografia era uma necessidade já bem identificada, no contexto da inscrição da ‘Mãe Soberana’ no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Uma necessidade agora cabalmente satisfeita, porque o livro transmite, como escreveu João Aleixo, “uma visão apaixonada da Festa. Ou melhor: de três visões apaixonadas”. A excelente compilação de fotografias sobre a extraordinária festa louletana foi, felizmente, merecedora de muitíssimo cuidada publicação. Resultou, sem margem para dúvidas, um requintado livro de colecção.

Os três corpos de trabalho fotográfico que constituem a obra distinguem-se e complementam-se. Inicialmente Fernando Correia Mendes apresenta, sempre com imagens a preto e branco, uma visão histórica da festa, das décadas de 1980 e 90. É a visão do observador que vê passar a procissão, e que ainda se foca na banda, no povo e, claro está, na sua devoção e fé. É um olhar algo distante, quase de foto-repórter, que vê e regista com criterioso rigor e objectividade. É um olhar múltiplo e estruturado, resultante do considerável número de anos que Correia Mendes fotografou e de atentas decisões para procurar sempre novos pontos de vista, novos enquadramentos, novos detalhes.

Luís Henrique da Cruz é o fotógrafo no centro do livro. Com um posicionamento muito distinto, não o do observador exterior mas sim o do participante fortemente empenhado e que adicionalmente vai fotografando, consegue transmitir em cada imagem toda a intensidade emocional de cada momento. Os registos, a preto e branco ou a cores, são vibrantes e fazem vibrar, são tocantes e tocam o leitor, são comoventes e não nos deixam indiferentes. Não será, por certo, fácil criar uma série de imagens que, no conforto do sofá, proporcionem uma recordação tão viva da Festa e, muito particularmente, daqueles breves minutos da intensíssima escalada até ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade.

A Vasco Célio coube a difícil tarefa de fechar o livro. Fê-lo muito centrado nos Homens do Andor, os actores secundários principais, no degrau imediatamente abaixo ao da imagem da Mãe Soberana, transportada no seu majestoso e ornamentado andor. O fotógrafo transporta para o livro momentos inesperados, que se sobrepõem aos mais habituais, os do esforço da subida. Os bravos são afinal homens que transpiram, respiram, reflectem, sorriem, festejam e descansam.

O livro de fotografia coordenado pelo historiador João Romero Chagas Aleixo, em síntese, reúne em si duas qualidades: por um lado, é um excelente documento de apresentação, explicação e memória visual sobre a Festa da Mãe Soberana de Loulé. E, por outro, quando o leitor consegue o necessário mas nem sempre fácil desprendimento da religiosa fé e da festa profana, descobre que em um fantástico livro de fotografia documental, pronto para ombrear com o melhor que se faz e publica em Portugal.

MÃE SOBERANA: A FORÇA DO AMOR’, vai estar à venda no próximo domingo, em Loulé, durante a Festa Maior. Oportunidade a não perder, até porque por Loulé estarão João Aleixo, Luís da Cruz e Vasco Célio ;-)

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