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Os Andrade, fotógrafos em Tavira, agora em livro


Damião Cândido de Andrade, recentemente falecido e proprietário da Foto Andrade, na Rua da Liberdade.

Em breve aqui abrirá um espaço museológico de evocação dos Andrade, fotógrafos em Tavira.

“Uma obra de referência de Tavira, Tavira está a gostar dela, agrada às pessoas e nós estamos bastante satisfeitos com isso.” É com estas palavras que Luís de Melo e Horta, também ele tavirense, nos apresenta o livro TAVIRA E OS ANDRADES - 120 anos de fotografia, recentemente editado pela ‘Fotografia Algarve / Foto Andrade’, o nome da casa comercial dos irmãos Luís Fernando e Maria Alcide Andrade, e onde também trabalham Miguel Ângelo e Victor Hugo, os dois filhos de Luís Andrade, que é o principal ‘motor’ de todas as iniciativas em torno da divulgação dos Andrade de Tavira.

“Não é um livro em que o texto comanda. São as fotografias que comandam o texto. E eu não sou o verdadeiro autor”, afirmou Luís Horta. “Só me adaptei às fotografias que tinha, que o Luís trazia, para escrever e contar em texto as histórias. Os autores são os diversos Andrades que andaram a fotografar a cidade e as pessoas da cidade. Se calhar o mais correcto é dizer que somos todos co-autores. Eu surjo como o único autor porque o Luís, que é um homem muito correto, não se quis apropriar das fotografias dos outros Andrades e decidiu que o melhor seria eu ser o autor deste livro. Mas, na verdade, somos todos.”

Luís de Melo e Horta, jornalista regional, historiador local e funcionário público aposentado, explicou-nos um pouco da história do livro: “eu fiz uma intervenção no (jornal) Lestalgarve há bastante tempo, nos anos 80, lembrando os Andrades que tinham já bastante tempo de vida profissional em Tavira. Depois, mais tarde, voltei a escrever um texto mais detalhado sobre a família no Jornal do Sotavento. É que eu e o Luís Andrade conhecemo-nos há muitos anos, desde pequenos, estudámos juntos e foi dessas reportagens que nasceu aos dois a ideia de fazer este livro. E eu disse-lhe: eu faço a história dos Andrade! Depois veio aquela excelente exposição no Palácio da Galeria (Fotografar. A família Andrade, olhares sobre Tavira) em 2011/12 e este projecto parou um pouco...” Luís Horta, no entanto, continuava a sentir a necessidade de acrescentar detalhes da história da própria família à história das fotografias feitas pela família e à história de Tavira através das fotografias dos Andrade, e procurou eliminar essa lacuna. “Este livro tem quase dois anos de trabalho, foi feito com muito cuidado, sem pressas porque as pressas não são boas conselheiras! Primeiro escrevi a história da família Andrade. Só depois começámos, o Luís e eu, a organizar os capítulos e a juntar fotografias. Ele trazia-me às cem e às duzentas fotografias de cada vez e depois tínhamos que escolher. Não foi fácil! O livro ia crescendo e crescendo, e ficaram ainda muitas fotografias para mostrar, e com elas muitas histórias para contar.”

Na verdade, o espólio dos Andrades fotógrafos é tão rico e interessante que facilmente se confunde com a imagem da história da cidade. Folhear o volumoso livro, cuidadosamente paginado e impresso, é muito mais do que rever a vida e o fruto do trabalho profissional das várias gerações da família. A ela, afinal, é apenas dedicada a Parte I de uma obra com quase 400 páginas. A Parte II, sob o título geral ‘Janela sobre Tavira’, está subdividida em dez capítulos, os quais abrangem temas muito variados, desde o militar ao económico e social, passando pela educação e cultura, o desporto, as festas e o património urbano. A grande maioria das imagens publicadas são a preto e branco e têm o sabor de outros tempos. Mas, no número quase incontável de registos apresentados, é possível começar em 1900 e terminar em 2017.

Luís Andrade referiu a importância e um dos méritos do trabalho de Luís Horta: “Tem uma memória impressionante. Lembra-se de tudo, dos nomes das pessoas, das datas dos acontecimentos. E isso é fundamental para que este livro seja rigoroso e verdadeiramente uma obra de referência sobre Tavira e sobre os Andrades.”

O que torna incomum TAVIRA E OS ANDRADES - 120 anos de fotografia não é o debruçar-se sobre a história da família. Famílias inteiras, geração após geração, com tradições na actividade da fotografia comercial e documental existem muitas, espalhadas um pouco por todo o país. Mas com um arquivo extenso e bem organizado serão, por certo, poucas. É nesse domínio que os Andrade foram e são exemplares: as diversas gerações souberam igualmente, quase sempre, guardar e conservar milhares dos seus registos, e é isso que este livro revela com profundidade e perspicácia. “Apenas um dos ramos originais da família, o de José Damasceno, que não era aliás fotógrafo a tempo inteiro, não tinha o seu arquivo organizado e para além disso morreu cedo. O filho não estava em Tavira e morreu também muito cedo. A mulher de José Damasceno não deu importância ao que o marido teria, e quando morreu todo esse património se perdeu, desapareceu, não ficou com o outro ramo da família Andrade. Se tivesse, o espólio dos Andrade seria ainda mais valioso!” concluiu Luís Horta.

O livro, que actualmente está apenas à venda na Fotografia Algarve por 60 euros, é uma edição inteiramente custeada pela família. “Não quis, não pedi, não foi necessário. Eu sou daqueles que pensa: vão-se os anéis, ficam os dedos. Os dedos servem-me para continuar a trabalhar!”. E servem também para folhear o livro, coisa que Luís Andrade faz com evidente satisfação e orgulho, enquanto pensa sobre os seus próximos projectos.

  • apresentação do livro no Barlavento de 28 de Setembro de 2017 AQUI e AQUI

  • apresentação do livro no Público de 19 de Agosto de 2017 AQUI

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BLOG | Nuno de Santos Loureiro