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  • Nuno de Santos Loureiro

CARVÃO DE AÇO, livro de ouro!


Adriano Miranda, fotojornalista do Público, apresentou hoje no Cine-Teatro das Minas de São Domingos, concelho de Mértola, o seu livro CARVÃO DE AÇO. A acompanhá-lo na apresentação estavam também Cláudio Torres e, na plateia, umas dezenas de pessoas. Momentos vibrantes, quer pelos comentários sobre a severa dureza do trabalho nas minas, transversal a toda a história da humanidade, como lembrou detalhadamente o Arqueólogo, quer pelo manifesto de vida do fotógrafo, declarado com base no livro, no tema e nas vivências dos mineiros do Pejão. Por certo, olha-se para o livro de forma diferente depois de assistir a uma sua apresentação pública feita em tais termos...

Na sua intervenção Adriano Miranda afirmou: O fotógrafo não pode ser só a ponta do dedo indicador e disparar como um abutre. Sacia-se e parte. Para lá da objectiva estão pessoas. Está a dignidade. Foi para fazer a defesa de uma fotografia humanista, sensível e até comprometida. Inspirada por quatro princípios motores: a utopia, a dignidade, o trabalho e o futuro. A utopia de com a Fotografia poder ser criativo e combativo, explicou. A dignidade de fazer da Fotografia uma união entre a cabeça e o coração, realçando que é importante a técnica, mas mais importante é a dignidade com que se fotografa o fotografado. Destacou o trabalho como um direito, e a dignidade do trabalho porque o trabalho é dignidade. E a função da Fotografia a documentar o trabalho: Uma coisa é imaginar, outra é ver. E outra é dar a ver. E, por fim, sobre o futuro, desejou que o livro permita aos mineiros, e aos filhos e netos dos mesmos, recordar com orgulho e dignidade os tempos da actividade na Mina de Pejão e que venha a surgir em breve o Centro do Couto Mineiro do Pejão. Mas, mais do que tudo, na justificação da atitude do seu trabalho, o fotojornalista afirmou: Podem olhar para mim e pensarem que sou um grande fotógrafo. Não sou. Escolhi a Fotografia feia, que denuncia, que belisca. Que dói. A Fotografia que incomoda. A fotografia bruta. A fotografia digna.

CARVÃO DE AÇO é um livro, em si mesmo, simplesmente fantástico. Na abertura vale a pena ler com atenção o texto de José Soudo, que historia um pouco a génese da série fotográfica e recorda uma primeira apresentação nos Encontros da Imagem de Braga, em 1994. Depois sucedem-se as imagens. Muitas. Densas e tensas. Sempre. Só vistas!

É um livro em que se associa o ambiente quase lúgubre das minas a uma sequência de retratos penetrantes. São 'cereja em cima de um delicioso bolo de chocolate'...

E sobre tudo isto Adriano Miranda escreveu no livro, a páginas tantas: Por vezes ao fotografar sentia um arrepio na espinha. Que dureza naqueles braços. Que firmeza naquelas pernas. Como eram dignos aqueles homens. Eu era um menino de coro.

É um livro onde a qualidade do trabalho de concepção gráfica dos Gráficos Associados e a impressão e acabamento do Diário do Porto não podem, igualmente, ser esquecidos. Por último, quero afirmar, é um livro que vai ficar da 'galeria dos excelentes', nos livros de fotografia de fotógrafos portugueses editados em Portugal. A fotografia de autor, documental, portuguesa está viva e bem viva. "VIVA A FOTOGRAFIA! ", assim escreveu Adriano Miranda na dedicatória do meu exemplar.

Adriano Miranda e Cláudio Torres, antes e durante a apresentação do livro CARVÃO DE AÇO.

#CláudioTorres #AdrianoMiranda #JoséSoudo

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