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Seca retirou 25% da água às barragens algarvias


A seca que se está a fazer sentir, e que deixou a quase totalidade da região do Algarve em situação de seca extrema, está igualmente a ter impactes muito significativos nos volumes da água armazenada no conjunto das barragens algarvias. Os números recentemente divulgados pelo SNIRH (Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos) apresentam a situação em tempo quase real, para cada uma das seis barragens algarvias, e o histórico também disponível possibilita uma esclarecedora análise cronológica.

Assim, comparando Agosto de 2018 com Agosto de 2019, o decréscimo médio na água armazenada é de 25,3% da capacidade máxima. Quer isto dizer que entre Agosto de 2018 e Agosto de 2019 perdeu-se água correspondente a 1/4 da capacidade total de armazenamento das barragens algarvias.

Se a comparação for feita para as duas barragens do Sotavento (Beliche e Odeleite), a quebra é bastante mais acentuada, quase atingindo os 36%. Nas quatro barragens do Barlavento (Arade, Funcho, Odelouca e Bravura) a quebra é de magnitude inferior, de apenas 20%.

Houve, de facto, uma inversão no armazenamento entre Agosto de 2018 e Agosto de 2019. No primeiro momento de análise as barragens do Barlavento apresentavam uma percentagem inferior à das barragens do Sotavento: 65,2% contra 76,8%. No segundo momento de análise tinham 45,2% da capacidade máxima e as do Sotavento apresentavam um valor inferior, de 40,9%.

Em termos de volumes totais armazenados, entre Agosto de 2018 e Agosto de 2019 perderam-se nas mesmas seis barragens 118,0 milhões de metros cúbicos de água. São menos 54,2 milhões de metros cúbicos no Barlavento e menos 63,8 milhões de metros cúbicos no Sotavento. Isto porque em Agosto de 2018 o conjunto das barragens argarvias armazenava 309,6 milhões de metros cúbicos e em Agosto de 2019 esse valor total baixou para os 191,6 milhões de metros cúbicos de água.

De acordo com as previsões mensais divulgadas pelo IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) as expectativas pessimistas perante a actual situação de seca extrema e de barragens quase vazias não se devem alterar ao longo do mês de Setembro e da primeira semana de Outubro. Os indicadores estatísticos divulgados apontam para precipitação abaixo da média na quinzena entre 9 e 22 de Setembro e precipitação dentro da média entre 23 de Setembro e 6 de Outubro. Consequentemente, não se antevêem por agora melhorias dignas de registo nestes indicadores hidrológicos da região algarvia.

Barragem de Odeleite em 6 de Setembro de 2019

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BLOG | Nuno de Santos Loureiro