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no rasto da Carta Agrícola e Florestal...


Entre 1898 e 1908 levavam-se a cabo no limite sudeste de Portugal continental, e também em outras partes do Algarve, os levantamentos de campo e os trabalhos de desenho cartográfico que tinham em vista a execução da primeira Carta Agrícola e Florestal de Portugal continental à escala 1:50.000. Era uma tarefa de grande envergadura supervisionada por Gerardo Pery, mas que acabou interrompida a meio. Como é por demais sabido, para o Algarve foram apenas publicadas duas Folhas, uma no limite noroeste (201) e outra no limite nordeste (206). Lamentável, porque do pouco que se conhece do trabalho que foi começado e depois interrompido pode constatar-se do enorme interesse científico que poderia ter essa Carta para se conhecer em detalhe uma faceta do passado agro-florestal da região.

Os trabalhos utilizavam como 'base cartográfica' a Carta Corográfica de Portugal à escala 1:100.000, publicada em 37 Folhas entre 1862 e 1904. É um excerto da Folha N.º 37 dessa Carta, ao qual foi sobreposto o limite de Portugal continental e os limites actuais dos concelhos de Vila Real de Santo António, Castro Marim e Tavira, bem como as respectivas sedes de concelho, que se apresenta na primeira imagem da animação acima.

A segunda imagem apresenta os resultados dos primeiros levantamentos e desenhos de campo, neste caso efectuados em três 'faixas' de orientação N-S. Eram utilizadas cores e símbolos para representar os usos do solo, assinalavam-se povoamentos e outras construções, uma toponímia muito detalhada e também estradas, caminho de ferro e limites administrativos. Na terceira imagem surge a sobreposição de um novo desenho, a ocupar a quase totalidade das três 'faixas'. Um desenho um pouco mais simples e com a informação que seria efectivamente utilizada para a Carta Agrícola e Florestal de Portugal.

A quarta e última imagem da animação apresenta apenas o excerto da Carta Corográfica N.º 37 e o desenho final das Pranchetas de Campo C e D que deveriam ter sido utilizadas para elaborar uma parte da Folha N.º 214 da Carta Agrícola e Florestal de Portugal.

O exemplo que agora se apresenta tem também o objectivo de tornar evidente que os levantamentos de campo e os trabalhos de desenho cartográfico recolhiam e reuniam uma enormíssima quantidade de elementos, de diversas naturezas. A Carta Agrícola e Florestal de Portugal à escala 1:50.000 iria utilizar e publicar apenas uma parte dessa informação. E mesmo assim, se tivesse sido concluída, seria seguramente uma das melhores Cartas Agrícolas e Florestais de sempre!

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BLOG | Nuno de Santos Loureiro